Nanoburrice

os-burrosEstamos impregnados de reduções utilitárias, vivemos momentos de puro simplorismo dos objetos que nos cercam, apreciando o redutível, a pequinês em suas múltiplas facetas. Glorificamos à nanolinguagem, o nanohumanismo, a nanociência, a nanoburrice!

Predomina em quase todas as apelações mercadológicas: o bom, útil e moderno, têm que ser necessariamente pequeno, “portátil”. O espaço para o grande, para o extenso, salvo algumas exceções, como as TVs de quarenta, cinqüenta, sessenta polegadas (… ), todo o resto, é minúsculo.

Basta dar uma olhada nas vitrines das lojas para constatar o que digo. Os computadores e celulares são os grandes exemplos dessa nova onda – nem tão nova assim, eu sei. Contudo, a minha preocupação não se volta para esse tipo de objeto de “consumo pelo consumo”; confesso que até vejo com bons olhos toda essa criação tecnológica, mas se estas não fossem uma pandemia que perpassem os limites das coisas inanimadas e adentrassem na vida dos indivíduos que, ao valorarem como absoluto, acabam por introgetarem isso em todas as formas de convivência humana, inclusive a intelectual.

É o que eu chamo de “nanoburrice”, ou seja, quase tudo na vida das pessoas são valorizadas pela capacidade de redução. Vejam a literatura. Esta vem a cada dia sendo apreciada pela capacidade de sinterização, haja vista os títulos mais vendidos atualmente com temas: “Os 100 Melhores Contos”; “Os dez Merores Livros do Mundo”; “As Melhores Frases”… Coisas desse gênero que nós bem sabemos que é crescente nas prateleiras das livrarias.

Entretanto, o mais agonizante dessa história toda é a nanoburrice no ensino como um todo. Quem nunca viu uma publicidade que vende um curso de graduação em dois anos? Algumas estão inovando e reduzindo esse tempo para um ano. Outra prova cabal dessa degradação são os famosos polígrafos de faculdade que “facilitam” a vida do acadêmico com os resumos das obras – digamos – densas em demasia para serem lidas integralmente. A nova ordem é a da sub-leitura das obras, já bem assimiladas por quem fez a síntese delas. Pesquisas?! Para quê? Joga no Google que ele resolve.

Outra concepção clássica desse mal trajado caminho, é o da industria da “saúde”. A quantidade de remédios oferecidos com a promessa de que tudo é resolvido em cápsulas, bastando para isso uma pílula aqui, outra a colá, que estará minimamente solucionado sem o menos esforço do paciente, desde que ele substitua sua dieta pela nova formula da Luciana Gimenez.   

A vida com esses novos contornos é uma vida “binária”, reduzida a pequenas partes de um todo que termina sendo esquecida em prol de uma fadiga mental. De acordo com Kant, no mundo social existem duas categorias de valores: o preço e a dignidade. Enquanto o preço representa um valor exterior (de mercado) e manifesta interesses particulares, a dignidade representa um valor interior (moral) e de interesse geral. As coisas têm preço; as pessoas, dignidade. E esta, está se esvaindo com tais valores, de modo que corremos o risco de não desenvolvermos a autocrítica, tão valiosa para a evolução humana.

Enfim, para não ser extenso demais, e não correr o risco de também não ser lido pela falta de “concisão”, fica registrado este pequeno texto em alerta as facilidades travestidas de coisas boas em novos padrões, deveras, tão “pequenos”.

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~ por Giordano Pablo Dantas em julho 30, 2009.

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