As Testemunhas (Les Témoins)

testemunhas-poster03 Um filme que evolui suavemente, que sai de um início simplório, modesto, tímido, e como a nascente de um rio, vai se agigantando ao longo dos seus afluentes até nos impressionar com sua magnitude.

Sem grandes rompantes dramáticos, embora o tema suscite um grau elevado de nervos, o filme escolhe falar de um assunto aparentemente trivial. Grosso modo, são duas historias extraída de uma única premissa, a saber, a de que o amor não se confunde com o sexo; aqui entenda-se não o sexo no sentido de prazer, mas no sentido de gênero. Suavemente caracterizado por casais heterossexuais e homossexuais para mostrar que existe algo de comum nesta suposta diversificação, tendo como núcleo fundante a incompletude sexual nos seus aspectos promíscuo; esses sujeitos se assemelham para falar que não há distinção em matéria de sexo. O que existe na realidade é um liame tênue que se manifesta de maneiras particulares a determinadas pessoas.

Quando passamos a identificar nos personagens que o sexo é uma pulsão instintiva que gera a insaciedade, e muitas vezes o descontrole moral – como sugere a procura pelo proibido, sempre mais prazeroso – fica patente a identificação entre esses dos grupos heterogêneos.

Isso é uma das particularidades que se mostra no transcorrer dos fatos que terminam por desaguarem no rio profundo que eu me referir no início destes escritos. A partir dessa dimensão avaliamos certas efemeridades nas relações. Tanto da parte dos heterossexuais bem como na vida dos gays, os “abismos” são facilmente esquecidos ou substituídos. Notem (quem for ver o filme) que ambos os casais, Adrien (Michel Blanc) e Manu (Johan Libéreau), de um lado; Sarah (Emmanuelle Béart) e Mehdi (Sami Bouajila), de outro, são levados a racionalizarem os acontecimentos sopesando – sensivelmente – o custo das escolhas: ter filhos ou escrever um livro; ter conforto ou liberdade; segurança ou prazer… Essas são uma das varias balanças comportamentais que o filme pontua.

Sem mais para o momento, recomendo esse delicado filme que aos olhos de um “guitarrista” poderá não agradar muito, principalmente quando se tem uma grande potencia nas caixas de som e esta termina por se calar.  Mas, todavia, nas mãos de um “pianista” será sem dúvida encontrado o tom necessário para alcançar os ouvidos mais exigentes, porém através de notas mais suaves e baixas.

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~ por Giordano Pablo Dantas em julho 5, 2009.

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